Tuesday, October 16, 2007

Ontem foi um dia histórico

Crude oil for November delivery rose $2.44, or 2.9 percent, to settle at a record $86.13 a barrel at 2:54 p.m. on the New York Mercantile Exchange. Oil reached $86.22, the highest since the contract was introduced in 1983. This is the fifth straight rise. Prices are 47 percent higher than a year ago.

Today's intraday high passed the previous all-time inflation-adjusted record reached in 1981 when Iran cut oil exports. The cost of oil used by U.S. refiners averaged $37.48 a barrel in March 1981, according to the Energy Department, or $84.73 in today's dollars.
Bloomberg, 15 de Outubro

Eu vou traduzir, porque esta notícia é demasiado importante para não ser lida em português:

O preço do petróleo para entrega em Novembro (NR: o petróleo comprado agora demora algum tempo a chegar ao destinatário, neste caso é para entrega em novembro nos EUA) subiu 2,44 dólares (dólares dos EUA), ou 2,9%, alcançando 86,13 dólares por barril às 2:54 p.m. (hora dos EUA) no New York Mercantile Exchange (sigla NYMEX, Bolsa de Valores de Nova Iorque). O petróleo atingiu um preço de 86,22 dólares, o valor mais alto desde que o contrato bolsista (do petróleo) foi introduzido em 1983. Esta é a quinta subida consecutiva (na bolsa). Os preços estão 47% mais altos do que há um ano atrás.

O pico de preço intraday (dentro do próprio dia) de hoje passou o máximo histórico em inflação ajustada anterior atingido em 1981 quando o Irão cortou as exportações (fez um embargo petrolífero aos países desenvolvidos). O custo do petróleo utilizado pelas refinarias dos Estados Unidos era em média de 37,48 dólares por barril em Março de 1981, de acordo com o Departamento de Energia (leia-se Minstério de Energia), ou 84,73 dólares de hoje.
Bloomberg, 15 de Outubro

O que isto quer dizer é que o petróleo ultrapassou o pico de preço de 1981, que até agora era o valor mais alto de sempre em inflação ajustada (leia-se em dólares de hoje). Hoje pode se dizer com toda a certeza que o petróleo nunca foi tão caro como hoje. Cumpre-se assim a profecia, da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo (ASPO) e de muitos outros especialistas, que o preço do barril do petróleo iria subir para máximos nunca vistos superando o peço atingido na crise do petróleo iraniana de 1981. Quase todos os especialistas ligados ao pico do petróleo, e mesmo alguns que não o são (falo por exemplo da Goldman Sachs e de outras entidades financeiras que alertaram para subidas do preço do petróleo acima de 100 dólares), que fizeram previsões de preços alertaram para subidas do preço do barril até 100 dólares ou mais (Matt Simmons fala em números de 3 digítos como 100, 200, 300).

Muitos foram ridicularizados por estas previsões, mas hoje essas previsões ganham vida com o petróleo já hoje (16 de Outubro) atingindo os 87,97 dólares por barril (e o dólar a cair que é um factor de inflação do petróleo) percebe-se que o petróleo a 100 dólares está mesmo à porta. E tudo isto acontece devido ao pico do petróleo embora hoje os média falem das ameaças do governo e exército turcos em invadir o norte do Iraque para atacar o PKK (uma guerrilha curda) o que pode causar interupções na extração de petróleo. Os motivos circunstanciais simplesmente não explicam porque o petróleo subiu de 10 dólares em 1999 para quase 88 dólares por barril em 2007 (quando em todo o século XX o petróleo esteve sempre entre 10 e 20 dólares excepto durante as crises da OPEP e do Irão), nem explicam os hoje tão falados "mercados apertados" (Tight Markets) que são um expressão recorrente pelo menos desde 2003, ano em que o petróleo a 20 dólares ficou definitivamente para trás.

Veja-se o gráfico histórico do preço do petróleo em inflação ajustada:

http://www.inflationdata.com/inflation/images/charts/Oil/Inflation_Adj_Oil_Prices_Chart.htm

(clique no link, tenha em conta que este gráfico não está actualizado até Outubro de 2007 e que não tem em conta a queda actual do dólar que fez baixar o valor do máximo histórico de 1981 em inflação ajustada)

A teoria do pico do petróleo (digo isto porque, incrivelmente, ainda há quem lhe chame teoria) tem duas conclusões findamentais: uma é que a produção mundial de petróleo atingirá (ou já atingiu) um pico máximo e depois declinará (o que se verifica actualmente é que desde finais de 2004 até agora, finais de 2007, a produção mundial de petróleo tem se mantido estagnada entre 84 e 85 milhões de barris diários); a outra é que todos os picos de preços anteriores serão ultrapassados (o maior dos quais era o de 1981) e o petróleo chegará a 100 dólares ou mais por barril, o que é incomportável para as economias contenporãneas, obrigando a humanidade a fazer grandes adaptações (económicas, sociais, culturais, etc) à vida pós-petróleo.

Esta última conclusão já está provada.

"It's going to soon hit $90 and go north of $100 next year," said Peter Schiff, chief executive officer of Darien (...)
Bloomberg, 15 de Outubro

E, aparentemente, já não é impensável para ninguém falar em petróleo a 100 dólares.

4 Comments:

Blogger José M. Sousa said...

Eu acho que os próximos dias e semanas vão ser históricos e deixar de o ser logo a seguir porque o rumo dos acontecimentos será tão acelerado. Ainda por cima, as coisas na Turquia continuam a aquecer:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1308233

5:09 AM  
Blogger Miguel Carvalho said...

noticia recente sobre o oil peak:
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/68426.html

já agora, não sei até que ponto é que ajustar apenas à inflação americana seja uma boa medida. A prová-lo está o facto de o brent estar bastante constante em euros.Aliás há ano e meio estava mais caro! Ou seja estas subidas não se devem a um aumento do valor do petróleo, mas sim à forte queda do dólar. Outro exemplo: o preço do ouro também tem batido recordes em dólares.

6:50 PM  
Blogger Luis Rocha said...

Caro José,

A ver vamos... andam por ai muitos jornalistas económicos a falar em petróleo a 100 dólares.

Caro Miguel

Visitei o teu blogue depositei um comentário no teu post sobre o pico do petróleo. Obrigado pela visita, antes de mais.

Quanto ao teu comentário, acho que faz sentido o que dizes, mas a questão é mais complexa, há muitos factores (há sempre), mas na minha opinião o principal é e será o peak oil.

Cumprimentos fraternais
LR

5:54 PM  
Blogger Oscar said...

Diz bem que o pico não é teoria!
O pico de petróleo já se verificou para os principais países produtores, incluindo EUA, Rússia e Arábia Saudita, e para todos os continentes excepto África (e Antártida). A nivel mundial, também já se passou o pico de produção para o petróleo convencional em 2005, e o máximo para todos os líquidos será entre 2006 (carece de confirmação) e 2011.
Note-se que quando a produção começar a descer 5%, as exportações irão descem cerca de 20%!

6:22 AM  

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