Wednesday, September 19, 2007

Sobre a Grande Crise da Humanidade em 2007

Porque é esta Grande Crise um Crise Perfeita, um Cataclismo insuportável para as actuais economias capitalistas europeias?

Três Motivos Fundamentais explicam-na cabalmente:

1 - Crise na Agricultura, os preços dos alimentos estão a subir pelo tecto por uma variedade de razões: crises climáticas (tufões, ciclones e furacões, mas também cheias, inundações e secas) afectando os maiores produtores e consumidores de cereais e de outros produtos da dieta básica humana, aumento da produção de biocombustíveis e aumento do preço do petróleo (essencial para a agricultura industrial moderna). Por exemplo na China, li uma notícia recentemente de um repórter local afirmando que no norte interior da China a produção de Trigo estava a ser dizimada por uma terrível seca (estas secas no interior da China são um problema crónico à mais de uma década que o governo chinês tenta sem sucesso contrariar) e nas zonas costeiras do sul, onde se cultiva o arroz (alimento base não só da China mas de toda a Ásia), os tufões e ciclones arrasaram com o grosso da produção, ora um problema de falta de alimentos no país mais populoso do mundo é um problema alimentar mundial. Problemas climáticos igualmente graves têm se passado em outros grandes produtores de cereais como o Canadá e a Austrália, afectados por secas extremas e incêndios (especialmente na Austrália, grande produtora de Trigo). Nos Estados Unidos (outro grande produtor de cereais) o problema maior tem sido o desvio da produção para os biocombustíveis, grande parte do milho já está a ser desviado da boca das pessoas para os automóveis, essa situação é agravada pelo encarecimento do preço da carne (que também depende do milho para rações dadas aos animais). Em muitos países do mundo a corrida aos biocombustíveis está a encarecer rapidamente os alimentos básicos da humanidade que já de si se encareciam pela sequência de crises climáticas que segundo alguns cientistas são provocadas pelo aquecimento global. Simultaneamente os biocombustíveis aumentam o ritmo da desflorestação o que agudiza ainda mais o aquecimento global (fenómeno particularmente observável na Indonésia e Malásia). Nos últimos dois anos tanto o preço do Trigo como o do Milho duplicaram pelo menos uma vez e estão a subir de forma assustadora. Isto já provocou tumultos populares no México mas este disparar de preços ainda vai provocar muitos mais.

2 - Crise na Indústria, o preço dos metais, minérios e energias essenciais para a Indústria estão a subir pelo tecto. Uma combinação de factores também afecta o preço destas matérias-primas: em parte poderá ser o esgotamento das reservas de alguns destes materiais (que são finitos), no caso das energias trata-se claramente da chegada do Pico Mundial da Produção de Petróleo e do atingir de vários picos de produção regionais de Gás Natural, também tem influência no aumento dos preços de metais e minérios o aumento do custo da energia derivado do Pico do Petróleo, no caso do Ouro e alguns metais preciosos existe um efeito de aumento da procura (como um refúgio de investimento) devido à crise nos mercados financeiros e queda aguda do valor do Dólar, o aumento da procura de metais utilizados na Indústria impulsionado pelo vigoro crescimento económico chinês e indiano faz o resto. O preço do petróleo foi de 20 dólares em 2002 para os 80 dólares actuais, o preço do ouro mais que duplicou, os preços da prata e da platina triplicaram, o cobre, o alumínio e outros metais industriais atingiram recordes históricos nos dois últimos anos.

3 - Crise no Sector de Serviços. Se olharmos para a divisão do PIB português em sectores, vemos que o sector serviços é a fatia maior e esmagadora face à Agricultura e Indústria. Mas no entanto o rendimento de um qualquer empregado de loja de comércio que venda sapatos é miserável, porque fazem então os serviços tanto dinheiro? É evidente que o grosso do lucro do sector dos serviços é o lucro da banca e do sector financeiro. Aí está a explicação. Porque falo então em crise no sector mais lucrativo de Portugal e de qualquer país capitalista europeu ou ocidental? Porque estamos no meio de uma crise financeira que começou pelo mercado das hipotecas subprime nos Estados Unidos mas já se alastrou pela Europa e pela Ásia tornando-se numa crise imobiliária e financeira global. O resultado desta crise que já se está a tornar visível é o colapso do Dólar como moeda-padrão mundial e com isso a implosão da economia de maior PIB e de maior consumo do mundo, a economia dos Estados Unidos. Isto vai arrasar com os altíssimos lucros da nossa banca e do nosso sector financeiro. Estamos perante a iminência de um colapso do sistema financeiro capitalista mundial, não exagero quando digo isto, a situação é grave porque os capitalistas nos Estados Unidos como cá insistem em salvar um 'sistema' que não tem salvação. O Sistema a que me refiro é o actual sistema financeiro baseado nas chamadas 'finanças estruturadas', num crédito artificialmente barato e num Dólar artificialmente forte, um Dólar que funciona como moeda-padrão do mundo sem ter condições para tal, enfim falo de uma economia (os EUA) que vivem endividados muito além do que é financeiramente sustentável e suportável.

Para ler mais sobre esta Grande Crise aconselho o http://www.resistir.info/ e http://www.odiario.info/

A crise está aí, eu não sou provavelmente o melhor conselheiro para vos dizer o que fazer perante tal situação. Um crise desta magnitude torna as soluções difíceis e complexas. Apenas posso dar a minha resposta como militante da luta por um mundo melhor e mais justo, a resposta é a Revolução, lutar pelo Socialismo, mas desta vez um Socialismo Ecológico respeitador da Natureza, só assim podemos sobreviver em paz com a Natureza que agora se revolta contra os desperdícios e poluições dos humanos.

4 Comments:

Blogger José M. Sousa said...

Olá!

Há dias li um artigo, salvo erro do James Kunstler, em que ele afirmava que retrospectivamente já era possível situar o pico petrolífero por volta de meados de 2006, se bem me recordo. Tens algum dado adicional sobre isso?
Há uns tempos que era para te perguntar. Eu gostava de contribuir com mais qualquer coisa para além de blogues para esta temática, por exemplo através da ASPO Portugal. Se houver iniciativas, contem comigo; não sei como, mas fica aqui a disponibilidade.

12:10 AM  
Blogger Luis Rocha said...

Existem várias datas diferentes, que diferentes especialistas dão para o Pico Petrolífero. As variações não obdecem só a diferentes cálculos (e palpites em alguns casos) como obdecem a diferentes conceitos de petróleo.

Existem vários tipos de petróleo, a divisão mais conhecida é entre o petróleo convencional e o não-convencional (por exemplo o petróleo ultra-pesado da bacia de Orinoco na Venezuela) mas existem outras. E depois se olharmos para os dados da produção mundial de petróleo sabemos que o total de líquidos considerados incluem etanol e biocombustíveis que se misturam com petróleo nas refinarias.

Um bom resumo das diferentes datas que os especialistas assinalam para o "pico" é dado no site "The Oil Drum".

Para já o que é indiscutível e factual em relação à produçã mundial de petróleo (ou seja, todos os líquidos) é desde finais de 2004 até hoje o petróleo estagnou num patamar entre 84 e 85 milhões de barris diários de produção. E tem oscilado nesse patamar há mais de 3 anos. Isso é um indicador de que o declínio da produção está para breve.

Quanto à ASPO-Portugal eu posso comunicar o teu interesse por participar aos meus colegas e possso-te avisar quando surgir algum evento.

10:09 AM  
Blogger Luis Rocha said...

O tal link para o The Oil Drum que explica onde estamos na produção mundial petrolífera com gráficos esclarecedores e actualizados:

http://europe.theoildrum.com/node/2973#more

4:24 PM  
Blogger José M. Sousa said...

Obrigado
Um abraço

1:07 PM  

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