Sunday, July 02, 2006

Nota: Parece que a utopia do etanol já chegou à União Europeia, e logo ao seu bom aluno Portugal. Este combustivel é um desperdício de recursos, ele nunca irá substituir o petróleo, a única coisa que pode fazer é desperdiçar terreno agricola ou destruir florestas, em algum remoto país asiático do qual vamos importar, com elevados danos ambientais. A sua taxa de EROEI (Energia Obtida por Energia Investida) é insuficiente para ter alguma lógica energética. Além do mais, a ideia deste combustível substituir o petróleo é uma utopia tecno-fantasista. A eficiência energética e a conservação são as únicas alternativas credíveis ao petróleo como combustível líquido, isto é, reduzir a procura.

Produção de bioetanol só é viável com redução no imposto

Sexta-Feira, 30 de Junho de 2006
Estudo apresentado em Idanha mostra potencial da Beira Interior

O estudo para produção de bioetanol apresentado em Idanha-a-Nova prevê
o aproveitamento de todo o regadio da Beira Interior, sendo a produção
considerada viável, mas dependente do imposto sobre produtos
petrolíferos (ISP) aplicado A produção de bioetanol, um aditivo e combustível
obtido a partir de plantas, só é viável em Portugal se o Governo baixar o
imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) para este produto em
particular. "O decreto-lei já propõe que haja uma isenção de 50 por cento, mas
não é suficiente para viabilizar a produção ao actual nível (cerca de
70 dólares) do preço do barril de petróleo", alertou Frederico Carvalho,
da empresa TechnoEdif, responsável por um estudo de viabilidade de
produção. O estudo foi apresentado anteontem em Idanha-a-Nova, na abertura
da Feira Raiana.
No entanto, questionado sobre qual a percentagem de isenção de imposto
que devia ser aplicada, Frederico Carvalho recusou adiantá-la, frisando
ser uma questão a discutir. "Não estou a falar na isenção total, mas é
preciso discutir esse ponto para valores mais ambiciosos", defendeu.
Para além do desagravamento da taxa de ISP, o estudo acrescenta que a
viabilidade económica para a incorporação do bioetanol está igualmente
dependente dos apoios governamentais directos aos agricultores.
Considerando o preço da gasolina super de 95 octanas, superior a 1,3
euros por litro, e que um litro de etanol tem um poder calorífico
inferior ao da gasolina, entre 25 a 30 por cento (por cada cem quilómetros
percorridos com gasolina, realizam-se entre 70 a 75 com bioetanol), o
estudo aponta um valor "igual ou inferior" a 0,73 euros como "interessante"
para comercialização do combustível.
Ainda segundo o documento os custos à porta da fábrica situam-se nos
0,6 euros/litro, enquanto as margens de comercialização e distribuição do
bioetanol, incorporando custos de transporte, armazenamento e
logísticos estão estimados em 0,13 euros/litro.

VIBILIDADE IMPLICA GRANDE ÁREA
Frederico Carvalho apresentou em Idanha-a-Nova um estudo de produção de
bioetanol, aproveitando o regadio da região, sendo a produção
considerada viável pelo documento, desde que englobe uma área maior. "É viável a
zona que considerámos, abarcando a Beira Interior e os regadios que vão
desde o Sabugal (Guarda) até ao Tejo (Vila Velha de Ródão). Não tem
limitações, à partida, para poder desenvolver um processo de bioetanol"
disse.
A área abrange, para além do regadio de Idanha-a-Nova, cuja Associação
de Regantes (ARBI) promoveu o estudo, toda a área de regadio da Cova de
Beira. Frederico Carvalho diz não existirem grandes limitações à
continuação dos estudos e, concretamente, à existência de uma conjugação de
esforços para que a região possa ser "pioneira" numa unidade industrial
de produção de bioetanol. Destacou, nomeadamente, a área "superior a
20.000 hectares", considerando a zona de regadio como "uma
infra-estrutura extraordinária que o Pais tem a nível climático, a nível de solos e
de dimensão".

Fábrica representa investimento mínimo de 35 milhões
Três a quatro anos para funcionar
A produção experimental de culturas como o sorgo sacarino e a cana de
açúcar na região tem dado "resultados encorajadores" para a produção de
bioetanol, frisa ainda o documento. Para o especialista, se por
hipótese fosse hoje tomada uma decisão de implantar uma fábrica na zona
referida, a unidade industrial "demoraria três ou quatro anos para estar a
funcionar", sublinhou. Segundo o estudo, uma unidade industrial para
produção de 75 milhões de litros por ano representaria um custo de
investimento entre os 35 e os 45 milhões de euros.

Espanha é o maior produtor europeu
Directiva comuntária impõe taxa mínima
Portugal não produz bioetanol, ao contrário, por exemplo, da Espanha, o
maior produtor europeu, apesar de uma directiva comunitária ter
estabelecido para 2005 a taxa mínima de dois por cento daquele aditivo a
incorporar nos combustíveis em geral, nomeadamente na gasolina. Uma taxa de
dois por cento em Portugal significa, segundo o estudo, uma estimativa
de consumo de 50 milhões de litros por ano. Para 2010 a mesma directiva
estabelece uma meta de 5,75 por cento, cerca de 140 milhões de litros
de consumo por ano. Actualmente, segundo Frederico Carvalho, a produção
de bioetanol na União Europeia está estimada em cerca de 600 milhões de
litros por ano, ainda assim "deficitária". "Com a adopção generalizada
da directiva, a Europa ficará muito provavelmente importadora de
bioetanol", frisa o estudo.

Fonte: Diário XXI

3 Comments:

Blogger Afrancesado said...

Alem de estar de acordo com o que foi dito, gostava de fazer uma comparação entre o comportamento dos defensores da biomassa e o método das facturas em carrocel, usado pelos burlões.
1) Num caso, a energia fóssil é curta, no outro o dinheiro é curto.
2) O total dssa energia ou desse dinheiro é, alem de insuficiente, constante.
3) Solução: Não há alimento? Faz-se de combustivel (revolução verde). Não há combustivel? Faz-se de alimento (defensores da biomassa).
Ou, falta dinheiro na conta A? Vem de B. Falta na B? Vem de A.
4) Assim, engana-se os papalvos e parece que o cobertor estica.

Os defensores da biomassa, se fossem sérios, diziam: pára-se com os adubos e fito-sanitários e assim já se tem + combustivel (muito pouco, aliás). Só que neste caso a careca ficava demasiado á vista, o mundo, sem a revolução verde alimenta no máximo 20% da população.

Por isso, e não me lembro quem cito,
a melhor definição de biomassa é:
É o processo em que entra certa energia na forma de petróleo e gaz, sai praticamente a mesma quantidade de energia, e tem como principal output euros na forma de subsidios.

10:00 PM  
Blogger Afrancesado said...

O problema da biomassa, além do facto de não resolver nada, é criar situações dramáticas:
- Destruição das florestas do sudoeste asiático e América do Sul (tambem quem come carne brasileira está a contribuir na destruição da Amazónia).
- Põe a boca do pobre em competição com o tampão de gasolina do rico(George Monbiot).Quem pensam que vai ganhar?

6:20 AM  
Blogger Joana said...

Não se deve cair no erro de confundir os diferentes tipos de biomassa que podem ser utilizados como matérias-primas para os biocombustíveis. Se por um lado, as culturas energéticas requerem uma excessiva quantidade de fertilizantes, tornado o seu ciclo de vida insustentável; por outro, a utilizção de resíduos (florestais, industrial, RSO, etc...) é bastante atractiva, quer em termos ambientais, como em termos económicos. Considero assim, a produção de biocombustíveis não um erro, mas sim uma boa solução, se for implementada de forma consciente.

4:49 AM  

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